Sinceramente sou contra todo processo consciente, intelectualizado, racional de criação artística. Parece paradoxal, ou até mesmo estúpido, negar a razão quando tudo o que escrevi nesse Blog (inclusive esse texto) foi estruturado com bases no pensamento racional, linear, conscientemente construído. Porém, fugindo um pouco (ênfase nesse pouco) dessa minha tendência tradicionalista de pensar, gostaria agora de fazer uma ode a infantilidade, uma ode a não-razão, ou a desrazão, aquele sentimento de ser e estar como criança, que nós esquecemos com o passar do tempo. Infelizmente, durante o processo de desenvolvimento do ser humano todos nós aprendemos a viver sob a mediação constante da razão (da linguagem) entre nosso ego e o mundo que nos cerca. Essa mediação, apesar de parecer necessária, maltrata continuamente nossa relação sensível com o mundo, revestindo a realidade de signos ilusórios, simbolos agressivos e permissivos, transformando nosso mundo em "interpretação do nosso mundo". Passa a nos faltar aquela dúvida ingênua sobre nosso própria realidade, fazendo surgir assim dúvidas de superfície, dúvidas sobre a interpretação que aprendemos a fazer dessa realidade. O criar não pode se submeter a essa mediação abusiva pois esta priva nossa sensibilidade, deixando-a em segundo plano, obscurecendo nossa antiga visão (no sentido amplo da palavra) do nosso próprio mundo, nosso mundo subjetivo. Aprendemos, com o passar do tempo, a acreditar que a realidade objetiva é superior a subjetiva, que tem mais valor de "verdade", que é mais real. mas pro artista a realidade é tão devidamente pessoal e desprovida de valores dogmáticos (linguísticos) que seu trabalho tende a transparecer seu próprio conceito (essa palavra não é a mais adequada, mas enfim...) do que é essa realidade, esse mundo que tende a se impor sobre ele o tempo todo. Desse ponto de vista, a palavra infantilidade adquire um tom mais leve, menos perjorativo, ganha o status que realmente merece, de virtude. O artista então nada mais é que um adulto que teima em ser criança. A criança nada mais é que o artista puro, límpido, que não foi abusado pela mediação do mundo estruturado, mediado, limitado. Aliás, já que estou aqui desenvolvendo um pensamento racional sobre um tema específico, numa tentativa de visão filosófica do assunto, me sinto na obrigação de defender (em partes) o lado filosófico dessas afirmações. Para isso, gostaria de citar a obra do filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche, não exatamente sua obra, mas sua forma de escrever. Nietzsche faz um tipo de filosofia poética (atística), não evidenciando o quanto seu discurso pode ser claro e lógico, mas como pode ser mágico e lúdico. Acredito verdadeiramente numa forma de entender o mundo que seja menos dogmática, menos estruturada e limitada, e mais mágica, lúdica, livre, artística, sensível, etc. Por fim, tenho medo de que uma certa teoria que me apareceu a um tempo atrás, de uma fonte que não me lembro no momento, seja realmente verdadeira: a racionalidade pode ser um vírus.
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Entonação e interpretação
Ao observar uma cena cotidiana, muito comum na vida de muitas pessoas, comecei a reparar na forma como as pessoas se comunicam entre si e como funciona a comunicação entre os demais animais. Como sabemos os animais não são seres simbólicos, diferentemente de nós, não se comunicam através de simbolos decodificáveis, mas pura e simplesmente com sinais diretos e objetivos, como sons e gestos simples, muito próximos ao tipo de comunicação do ser humano primitivo. Isso significa que não só os animais utilizam esse tipo de recurso, pois mesmo que tenhamos linguagens verbais bem estruturadas (com gramáticas complexas) ainda mantemos uma carcterística antiquíssima e completamente natural a qualquer espécie animal: a entonação. A articulação da voz expressa e comunica muito mais do que costumamos perceber. Através dela percebemos não somente a mensagem contida nas orações mas tembém sua intencionalidade sensível, a carga de sentimento que acompanha o pensamento lógico, racional. Tendo isso em mente, pensemos primariamente sobre a comunicação através de textos escritos. Claro que algum recursos linguísticos e gramáticos ajudam a dar algum tipo de ênfase acima de algum sentimento que é necessário ser passado em tal mensagem, porém esses recursos são muito limitados se comparados a verdadeira entonação na qual o emissor gostaria de comunicar. Temos aí um grande problema a ser pensado quando nos voltamos para a comunicação mediatista via internet. Quantos são os maus entendidos provocados por essa deficiência na comunicação? Que adianta poder se comunicar com muitas pessoas em todo mundo se esse ato parece incompleto, limitado? Que tipos de falha de interpretação podem ocorrer? Que problemas esse tipo de comunicação pode trazer a comunicação humana em geral? Alguns autores trazem luzes tênues sobre o assunto, mas nada de concreto, de confiável, está escrito, e, acreditem ou não, queridos leitores, os problemas podem ser muito mais graves do que pensamos. Esperemos que não sejam.
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Expansão
Depois de um longo período de jejum no qual deixei de escrever neste Blog, decidi, após um lampejo de inspiração, atualizá-lo. Bom, esse lampejo partiu, primeiramente, de um livro que lia para a realização de minha Tese de Conclusão de Curso. A autora falava sobre mente, cognição, percepção e assuntos afins quando menciona uma frase sucinta e lacônica: "Diz-se que o Universo está em constante expansão. Que lugar melhor para ele se expandir que nossas mentes?". Essa indagação me chamou atenção pelo fato de que estive lendo alguns artigos sobre a hipotética energia escura. Observei nesses textos alguns problemas os quais os físicos tentam resolver e o mais interessante foi descobrir uma analogia que alguns fazem ao esquecido quinto elemento da natureza: o Éter. Científicamente o éter (não confundir com o composto químico) já havia sido descartado como algo real, mesmo tendo extremo poder nas palavras de filósofos como Platão e Aristóteles. Para Platão o Éter era o elemento de função primária em sua concepção do Mundo das Idéias Perfeitas, ou seja, para o filósofo um elemento transcendente do mundo material, um elemento mental. Em diversas práticas e ritos exotéricos o Éter também é visto tanto dessa forma como fazendo parte de um patamar divino, metafísico (ou semi-metafísco, se me permitem o neologismo). A analogia passa a fazer sentido quando, ao pesquisar detalhes sobre ambos os assuntos, pude perceber que muitas desses mesmos ritos exotéricos sucitam o fato da mente ser não só expansiva, mas também um prolongamento, um desdobramento do Universo físico, material. A ciência acredita hoje que a energia escura tem íntima relação com a expansão do Universo físico, acelerando-a, ou seja, se a relação entre éter e energia escura for verdadeira, podemos começar a pensar na mente como uma dimensão extra as quais conhecemos. Seria como se a energia escura/éter fluisse numa dimensão paralela as já conhecidas, energizando e dando movimento a nossas mentes, que através de pulsos elétricos, cria o "diálogo" que conhecemos entre MENTE e CÉREBRO. Essa teoria entra tanto de acordo com a recente Teoria das Cordas quanto com as mais novas descobertas das teorias quânticas, que de modo geral, prevêem a existência de diversas micro-dimensões as quais não conhecemos. Pois bem, se tudo isso realmente fizer algum sentido, é apropriado que façamos nossa parte em desenvolver e expandir nossas mentes, afinal fazemos parte de um sistema muito complexo mas que pode estar sim ao alcance do nosso entendimento.
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